Ao refletir sobre o tema luto, é inevitável revisitar nossa própria história, os momentos de luto, dor e perdas vivenciados em diferentes épocas, dimensões e sentidos. O luto é uma reação natural à privação do convívio de alguém ou de algo significativo.
Assim, é preciso refletir sobre “Quem/O quê”, “Quando”, “Onde” e “Como” foi a perda, relembrando os sentimentos presentes à época do fato vivido. Em seguida, vem um “Por quê”, na busca de certezas que nunca serão alcançadas, e o que nos resta é descobrir estratégias possíveis de como seguir adiante.
“Death Positive” ou positividade da morte, é um movimento de contracorrente, que mostra os benefícios de ressignificar a morte e buscar melhores maneiras de passar por esse momento.
Mariana Clark psicóloga e especialista em luto, ressalta que quando as pessoas entendem que suas vidas tem um fim, se deparam e encaram ela de frente, naturalmente a vida começa a guinar e elas começam a pensar em que tipo de conexões e relações estão escolhendo do ponto de vista dessa finitude.
A tendência de ressignificar a morte e lidar com as memórias de quem se foi é um terreno delicado, que está sendo explorado com muita sutileza e sabedoria por algumas empresas. É o caso da Seven Capital, que investe em bioparques, onde árvores são plantadas a partir das cinzas de quem se foi. As plantas são identificadas com o nome da pessoa e um QRcode que redireciona o usuário a um perfil virtual com as melhores lembranças de quem está ali.

O BioParque propõe transformar as cinzas do ente querido em parte de um substrato preparado para o plantio de árvores. A espécie é escolhida por quem presta a homenagem, mas já são pré-selecionadas de acordo com a flora e fauna locais. No lugar dos frios túmulos de cimento, há vasos de planta cujas sementes são colocadas junto às cinzas de pessoas que já se foram.
No Brasil, o conceito, chamado de “inusitado, sustentável e contemporâneo” pela empresa por trás do local, é capitaneado por três companhias, são elas: as empresas Primaveras, de São Paulo; Grupo Parque, de Alagoas, e a Prevenir, de Minas Gerais, que se uniram à Seven Capital para criar o BioParque.
Essa ideia de transformar a tristeza da partida em um novo ciclo de vida é uma alternativa ecológica sustentável que pensa no presente, resgata memórias e preocupa-se com o futuro.
Fonte: Flickr.
Taciéli dos Santos – Educadora Ambiental/Bioplanet